"A camada mais profunda que conseguimos atingir na mente do inconsciente é aquelaem que o homem "perde" a sua individualidade particular, mas onde sua mente se alargamergulhando na mente da humanidade - não a consciência - mas o inconsciente, onde somostodos iguais. Como o corpo tem sua conformação anatômica com dois olhos, duas orelhas, umnariz e assim por diante, e apenas ligeiras diferenças individuais, o mesmo se dá com a menteem conformação básica. A esse nível não somos mais entidades separadas, somos um.”

De certa forma, medo é a filha de Deus, redimida na noite de sexta-feira. 

Ela não é bela, zombada, amaldiçoada e renegada por todos.

'Você é daqueles sujeitos profundos. Não que se acham profundos – profundos mesmo. Devido às maquinações constantes da sua cabecinha, ao longo do tempo você acumulou milhões de questionamentos. Hoje, em segundos, você é capaz de reconsiderar toda a sua existência. A visão de um objeto ou uma fala inocente de alguém às vezes desencadeiam viagens dilacerantes aos cantos mais obscuros de sua alma. Em geral, essa tendência introspectiva não faz de você uma pessoa fácil de se conviver. Aliás, você desperta até medo em algumas pessoas. Outras simplesmente não o conseguem entender. 
Assim é também "A paixão segundo GH", obra-prima de Clarice Lispector amada-idolatrada por leitores intelectuais e existencialistas, mas, sejamos sinceros, que assusta a maioria. Essa possível repulsa, porém, nunca anulará um milésimo de sua força literária. O mesmo vale para você: agrada a poucos, mas tem uma força única.”

"Eu trapaceava quando dizia: nós somos um. Entre dois indivíduos a harmonia nunca é dada, ela deve ser conquistada indefinidamente."

a religião e o ópio de hoje

há aqueles que acreditam em depressão. assim como existem outros que acreditam em deus e os que não.

sentem fé nela. alguém disse que a depressão existe e pronto, acreditaram. ingerem a medicação diária religiosamente de acordo com o dogma contemporâneo.

eu respeito esses seres e suas crenças, embora não partilhe delas.

disseram-me que a depressão habitava em mim, adolescente. resolvi não acreditar nem seguir os rituais receitados. então, me deixou como se nunca tivesse estado.

acredito em dor, tristeza, melancolia. depressão não. vida é sofrimento. pra ele, não há ritual nem remédio, só tempo.

tempo.

tempo, a vida contemporânea não tem.

eu já desejei sua morte.

depois de ler o texto e ver um bicho metalizado e industrializado da lygia clark, me viro e ali estão uns desenhos nunca vistos, pretos, abstratos, gestuais.

gosto disso, desse encontro direto da artista com a matéria.

no canto do papel a assinatura, “bourgeois”. 

surpresa!

e a satisfação de um novo encontro com a já adorada louise.

Sonhei com a morte.

Ela, recém-nascida embora não bebê, dizia que precisava nascer.

Para acabar com o sofrimento era necessário viver.

Sempre pensara o contrário, que o sofrimento era da vida e o alívio da morte.

Ela vivia em morte, mas não interagia com os daqui, então o sofrimento.

Tentativa frustada de rompimento.

Eu expirando em uma cama de hospital.

A minha morte, fato recente.

A força se esvaía.

Meu caixão enterrando-se.

 

Criança,

dizia ao meu irmão:

"Ao dormir, viro pedra."

Como meu nome.

Ainda sou pedra.

Pedra não acorda.